1 Tessalonicenses 4: o arrebatamento vem antes da tribulação ou junto com a volta de Cristo
Paulo consolou uma igreja enlutada; Jesus, em Mateus 24, deu a ordem dos fatos: tribulação, vinda visível nas nuvens, trombeta e reunião dos escolhidos.
Paulo consolou uma igreja enlutada; Jesus, em Mateus 24, deu a ordem dos fatos: tribulação, vinda visível nas nuvens, trombeta e reunião dos escolhidos.

Em 1 Tessalonicenses 4, Paulo escreve que os mortos em Cristo ressuscitam e que os vivos serão arrebatados para encontrar o Senhor. Quando isso acontece? Nas Assembleias de Deus, aprende-se que antes da Grande Tribulação. A gente lê a resposta nas palavras de Jesus em Mateus 24: "logo depois da aflição daqueles dias", o Filho do Homem vem nas nuvens e os anjos ajuntam os escolhidos. Mostramos os dois lados e dizemos onde estamos.
Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.1 Tessalonicenses 4:17 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
Paulo fundou a igreja de Tessalônica e teve de deixar a cidade às pressas por causa de uma perseguição (Atos 17:1-10). De Atenas, mandou Timóteo saber como ela estava, e a carta é escrita depois da volta dele com boas notícias (1 Tessalonicenses 3:1-6). Era uma igreja nova, de poucos meses de ensino.
Nesse intervalo, alguns irmãos morreram. A dúvida não era se os mortos iriam para o céu, mas se perderiam a volta de Jesus, que a igreja esperava para logo. Paulo responde com uma "palavra do Senhor" (4:15) e termina mandando os irmãos se consolarem (4:18).
As palavras-chave do debate estão no versículo 17. "Arrebatados" traduz o grego harpazō, tomar de repente; a Vulgata latina usou rapiemur, de onde vem o termo "rapto" (rapture, em inglês). "Encontrar" traduz apantēsis, palavra usada para a comitiva que saía da cidade para receber uma autoridade e voltar com ela, como em Atos 28:15; parte dos intérpretes vê aí a igreja indo receber o Rei que vem à Terra.
Calvino, no seu comentário da carta, lê a cena como a convocação de vivos e mortos ao tribunal de Cristo e usa o "para sempre" contra quem limitava a vida com Cristo a mil anos. O pré-tribulacionismo como sistema se popularizou no século 19, com a Bíblia de Scofield (1909), como lembra Chun Kwang Chung; Leandro Lima, do mesmo centro de estudos, mostra que os primeiros pré-milenistas da igreja antiga (Papias, Justino, Irineu) não eram dispensacionalistas.
Problema, fundamento, promessa, cena e consolo: o texto é uma carta pastoral, não um mapa do fim dos tempos, mas a cena dos versículos 16 e 17 é o centro do debate.
O arrebatamento de 1 Tessalonicenses 4:17 é um evento separado, antes da Grande Tribulação, ou é o momento em que a igreja sai ao encontro de Cristo na sua vinda única e visível?
Teólogos presbiterianos leem os versículos 16 e 17 como parte da volta pública de Cristo: trombeta, voz e ressurreição acontecem no mesmo evento. A igreja passa pela Grande Tribulação, sai ao encontro do Senhor e o milênio é entendido como o reinado atual de Cristo.
Hernandes Dias Lopes afirma que a volta de Cristo será pessoal, visível e pública, sem uma vinda secreta antes. No mesmo texto, ele descreve 1 Tessalonicenses 4:16-17 dentro dessa vinda única: os mortos em Cristo ressuscitam primeiro e os vivos são transformados e arrebatados para encontrar o Senhor. Antes disso, a igreja passa pela tribulação.
Não haverá um arrebatamento secreto e só depois uma vinda visível. Sua vinda é única."Jesus Cristo virá em breve, você está preparado?" (coluna no Guiame) (26/06/2020)
Augustus Nicodemus se declarou amilenista em entrevista de 2022: Cristo já reina sobre o seu povo. Nesta pregação, argumenta pelo sermão de Mateus 24: a tribulação termina com a vinda em glória e é abreviada por causa dos eleitos, que portanto estarão nela. Se houvesse arrebatamento antes, Jesus o teria citado ali. A reportagem não trata de 1 Tessalonicenses 4.
Um evento tão glorioso como o arrebatamento da igreja antes da grande tribulação não poderia faltar nesse sermãoPregação noticiada pelo Guiame: "Igreja ficará à beira da extinção durante a grande tribulação" (10/01/2020)
Chun Kwang Chung conta como o pré-milenismo se espalhou entre evangélicos a partir do século 19, com Moody, o avivamento da Rua Azusa e a Bíblia de Scofield (1909), e como isso fez da missão um resgate antes da tribulação. Ele propõe o amilenismo como alternativa mais equilibrada sobre o reino de Deus.
Como terceira alternativa, o amilenismo pode oferecer uma concepção mais equilibrada do reino de Deus e expectativas mais realistas para a igreja."A escatologia amilenista e suas implicações para a teologia e a prática missionária", Fides Reformata XXVII, nº 2 (2022)
A linha ensinada há décadas nas Lições Bíblicas da CPAD, das Assembleias de Deus: a vinda de Cristo tem duas fases. Primeiro, Ele arrebata a igreja, sem tocar a Terra; depois da Grande Tribulação, volta em glória, visível a todos, e reina mil anos.
Elienai Cabral apresenta as três escolas (pré, meso e pós-tribulacionismo) e defende a primeira. Para ele, a vinda de Cristo tem duas fases: uma invisível para o mundo, o arrebatamento, e outra visível, a vinda em glória. O apoio está em 1 Tessalonicenses 5:9, que diz que a igreja não foi destinada para a ira.
A primeira, invisível para o mundo, é o arrebatamento da IgrejaLição 7, "O arrebatamento da Igreja", revista Escatologia (CPAD, 3º trimestre) (16/08/1998)
Claudionor de Andrade explica que "arrebatamento" vem do grego harpazō, retirar de repente. A vinda do Senhor é uma só, mas acontece em duas fases, com sete anos entre elas: primeiro a igreja é arrebatada, depois Jesus vem libertar Israel e julgar as nações. Por isso o arrebatamento é iminente e pode acontecer a qualquer instante.
a vinda do Senhor é uma só, porém, manifesta em duas fases distintasLição 4, "O arrebatamento da Igreja", revista Vem o fim, o fim vem (CPAD, 4º trimestre) (24/10/2004)
Elinaldo Renovato lê o "nos ares" e o "nas nuvens" de 1 Tessalonicenses 4:17 ao pé da letra: na primeira fase da vinda, Cristo encontra a igreja no alto e não desce à Terra; essa fase é vista só pela igreja. A segunda fase é visível a todos, e a ressurreição dos ímpios fica para depois do milênio (Apocalipse 20:5-6).
Jesus não tocará na TerraLição 5, "O arrebatamento da Igreja", revista O final de todas as coisas (CPAD, 1º trimestre) (31/01/2016)
A gente fica com a resposta que o próprio Jesus deu. Em Mateus 24, os discípulos perguntaram pelo sinal da sua vinda, e ele descreveu a ordem dos fatos: "logo depois da aflição daqueles dias" (24:29), o Filho do Homem aparece "vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória" (24:30), e "ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos" (24:31). Uma vinda só, visível como o relâmpago que sai do oriente e se mostra até o ocidente (24:27), depois da tribulação.
É a mesma cena de 1 Tessalonicenses 4: o Senhor desce do céu, há trombeta, nuvens, e os seus são reunidos para encontrá-lo (4:16-17). Paulo não descreve uma vinda secreta; descreve alarido, voz de arcanjo e trombeta. E Jesus avisou que os escolhidos estariam naqueles dias, que seriam abreviados "por causa dos escolhidos" (24:22). Por isso a ordem para a igreja não é contar com uma saída antes da aflição, mas perseverar: "aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo" (24:13).
E há uma razão prática, no espírito da aposta de Pascal, o filósofo cristão do século 17 que comparou o que se arrisca em cada escolha. Se a igreja espera o arrebatamento antes da tribulação e ele não vier antes, ela não se preparou e vai sofrer a aflição despreparada. Se a igreja espera a vinda depois da tribulação e o Senhor vier antes, nada de mal acontece: quem se preparou para perseverar é arrebatado do mesmo jeito. Preparar-se não custa nada; não se preparar pode custar caro.
Aqui a gente diverge, com respeito, da Declaração de Fé das Assembleias de Deus e de muitos irmãos pentecostais que aprenderam o arrebatamento em duas fases, como mostram as Lições Bíblicas da CPAD relatadas acima. Confessamos com eles o essencial: Cristo volta em pessoa, os mortos ressuscitam e estaremos para sempre com o Senhor. E guardamos o que Jesus disse no mesmo capítulo: "daquele dia e hora ninguém sabe" (24:36). Vigiai e estai preparados (24:42-44).
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
Em Mateus 24:29-31, primeiro vem a aflição, depois a vinda visível nas nuvens, a trombeta e a reunião dos escolhidos. É a chave que a gente usa para ler 1 Tessalonicenses 4.
Os vivos não terão vantagem (v. 15); os mortos em Cristo ressuscitam primeiro (v. 16). Para uma igreja de luto, essa era a notícia central.
Alarido, voz de arcanjo e trombeta (1 Ts 4:16); relâmpago de oriente a ocidente (Mt 24:27). A volta de Cristo será vista por todos.
"E assim estaremos sempre com o Senhor" (v. 17). O centro da promessa é a comunhão, não o calendário.
No espírito da aposta de Pascal: quem espera o arrebatamento antes e erra enfrenta a tribulação despreparado; quem se prepara para perseverar e o Senhor vem antes não perde nada.
Paulo ensina para consolar (v. 18) e Jesus, para preparar (Mt 24:13, 42-44). Esperança firme e perseverança caminham juntas.
Jesus disse: "daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai" (Mateus 24:36). Ninguém pode marcar data.
Em Mateus 24, Jesus fala aos escolhidos que estarão naqueles dias (24:22) e os chama a perseverar até o fim (24:13). Muitos irmãos esperam o arrebatamento antes; respeitamos, mas lemos Jesus de outro modo.
Pré-tribulacionistas e os que esperam uma só vinda confessam a mesma volta de Cristo, a ressurreição e o juízo. Divergir no calendário não é negar a fé.
A palavra está em 1 Tessalonicenses 4:17 ("seremos arrebatados"). O que se discute não é se haverá arrebatamento, mas quando ele acontece.
O ponto de partida de Paulo é o luto: os irmãos que morreram em Cristo não perderam nada, e o reencontro é com eles e com o Senhor. Console quem perdeu alguém com estas palavras (v. 18).
E o ponto de chegada de Jesus é a perseverança. Se a igreja pode passar por dias difíceis antes da volta de Cristo, a preparação é agora: firmeza na fé, amor que não esfria (Mateus 24:12-13), cuidado com falsos profetas (24:11) e o evangelho pregado a todas as nações (24:14).
Dica: Antes de discutir o calendário, leia 1 Tessalonicenses 5:1-11, que continua o assunto: os dois lados citam esse trecho.
A chave deste estudo é Mateus 24:29-31 (a vinda depois da tribulação, com trombeta e reunião dos escolhidos). Leia também 1 Coríntios 15:51-52 (a transformação dos vivos ao som da trombeta) e 2 Tessalonicenses 2:1-3, onde Paulo, ao tratar da vinda de Cristo e da "nossa reunião com ele", avisa que "não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado".
"Arrebatados" (Almeida) e "levados" (algumas traduções modernas) vertem o mesmo verbo grego harpazō. "Encontrar o Senhor nos ares" traduz eis apantēsin, a palavra de Atos 28:15 e Mateus 25:6.
Jesus respondeu à pergunta dos discípulos: depois da aflição, ele vem nas nuvens, com trombeta, e reúne os seus. É essa a vinda de 1 Tessalonicenses 4. Ninguém sabe o dia; por isso a gente não espera escapar, espera perseverar, vigiando e consolando uns aos outros com estas palavras.
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Consulta às fontes em 30/10/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas nas páginas citadas; as das Lições Bíblicas da CPAD, em duas reproduções independentes. Posição do portal sobre escatologia (uma só vinda, depois da tribulação, conforme Mateus 24) definida pelo portal em 30/10/2026.