Mateus 5:1-12: por que Jesus chamou de felizes os pobres, os que choram e os perseguidos
Pobres em espírito, mansos, misericordiosos, pacificadores, perseguidos: Jesus abre o Sermão do Monte virando do avesso o que o mundo chama de felicidade.
Pobres em espírito, mansos, misericordiosos, pacificadores, perseguidos: Jesus abre o Sermão do Monte virando do avesso o que o mundo chama de felicidade.

Jesus subiu ao monte, sentou-se e começou a ensinar com oito frases que começam igual: "bem-aventurados". Uma lição da CPAD, dois textos luteranos e um artigo do portal Ultimato concordam que elas descrevem quem já pertence ao Reino, e que a felicidade que Jesus anuncia é presente de Deus, não conquista. Para nós, pentecostais, é o retrato do caráter que o Espírito forma em quem nasceu de novo.
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céusMateus 5:3 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
As bem-aventuranças abrem o Sermão do Monte (Mateus 5 a 7), o primeiro grande discurso de Jesus em Mateus. Jesus vê a multidão, sobe ao monte e se senta, como os mestres da época. Matthew Henry, comentarista inglês do século 18, notou o contraste com o Sinai: quando a lei foi dada, o Senhor desceu sobre o monte; agora o Senhor subiu (tradução livre).
Lucas traz uma versão mais curta, num lugar plano, com quatro bem-aventuranças seguidas de quatro ais (Lucas 6:20-26). As bem-aventuranças ecoam o Antigo Testamento: os mansos que herdarão a terra lembram o Salmo 37:11, e os limpos de coração, o Salmo 24:3-4, como aponta a lição da CPAD.
John Wesley, fundador do metodismo, defendeu que "bem-aventurados" deveria ser lido como "felizes" e escreveu que os discípulos são felizes no fim e no caminho, nesta vida e na eternidade (tradução livre). A felicidade do Reino, para ele, começa já.
Oito bem-aventuranças e uma aplicação final. A primeira e a oitava terminam com a mesma promessa, "deles é o reino dos céus", no presente; as do meio olham para o futuro, como observa a pastora luterana Ana Isa dos Reis.
Que tipo de felicidade Jesus anuncia a gente que, aos olhos do mundo, não tem motivo nenhum para ser feliz?
César Moisés Carvalho lê as bem-aventuranças como o estilo de vida de quem nasceu de novo e se tornou súdito do Reino. Os pobres de espírito não se apoiam em méritos próprios; a fome de justiça não é vontade de fazer justiça com as próprias mãos, e por isso a misericórdia vem logo depois; e a paz é algo ativo, a ser promovido. Ele também avisa que o sofrimento que traz recompensa não pode vir dos erros do próprio discípulo.
Os pobres de espírito são aqueles que, por reconhecerem sua dependência de Deus, não se apoiam em méritos próprios"O Sermão do Monte — A justiça sob a ótica de Jesus", Lições Bíblicas Jovens CPAD, 2º trimestre de 2017, lição 1, "As bem-aventuranças" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia) (02/04/2017)
Ricardo Brosowski explica que makarios pode ser traduzido por bem-aventurado, feliz ou bendito, alguém que recebe o favor de Deus. Ele distingue a felicidade que o mundo conquista da bem-aventurança que Deus dá, mesmo sem mérito. O texto, diz, consola e incomoda ao mesmo tempo, e a maior bem-aventurança é a salvação recebida de presente.
Ganhamos a salvação – a maior bem-aventurança de todas, como presente, sem mérito nosso."Um paradoxo", prédica sobre Mateus 5:1-12, Proclamar Libertação, volume 47 (Portal Luterano) (29/01/2023 (data da pregação))
Ana Isa dos Reis observa a moldura do texto: a primeira e a oitava bem-aventuranças falam do Reino no presente, como algo que já chegou, enquanto as outras usam o futuro. Ela compara Mateus com Lucas 6, que traz menos bem-aventuranças e acrescenta os ais, e mostra que Mateus amplia a lista para descrever a vida do discípulo.
Tanto nessa primeira como na oitava bem-aventurança se usa o presente, afirmando que o Reino já está aqui e agora. As demais usam o futuro escatológico.Prédica sobre Mateus 5:1-12, Proclamar Libertação, volume 38 (Portal Luterano) (02/02/2014 (data da pregação))
Carlos Queiroz, que acompanhou projetos sociais em Angola, mostra que pobreza na Bíblia é condição econômica e também atitude de alma. Os pobres de espírito são os que, sem prestígio nem poder, confiam só na graça de Deus, e por isso são felizes. Para ele, a felicidade que Jesus anuncia está no ser, e não no ter.
A pobreza é apresentada também como uma disposição interior ou atitude de alma, em que a pessoa se coloca sob a total dependência de Deus."Bem-aventurados os pobres de espírito...", revista Mãos Dadas (portal Ultimato) (01/03/2023)
O pentecostal lê as bem-aventuranças como o retrato do caráter que o Espírito Santo forma em quem nasceu de novo. Ninguém fabrica mansidão, misericórdia ou um coração limpo por esforço próprio: é obra de Deus em nós. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus diz que "santificação é o ato de separar-se do pecado e dedicar-se a Deus", e os limpos de coração do versículo 8 são exatamente isso.
E a gente lê com esperança. A mesma Declaração chama a vida eterna na nova Jerusalém de "nossa eterna bem-aventurança", sem dor nem tristeza. Os que choram hoje serão consolados de verdade, e até lá o Espírito Consolador já está conosco. A felicidade do Reino começou e ainda vai se completar.
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
Bem-aventurança não é conquista: é favor de Deus dado a quem depende dele.
Quem reconhece que não tem nada a oferecer a Deus é o primeiro a receber o Reino (5:3).
"Eles serão consolados" (5:4): Deus não ignora a dor dos seus.
A fome de justiça (5:6) vem acompanhada da misericórdia (5:7).
Pacificadores (5:9) são os que fazem a paz, não só os que evitam brigas.
A primeira e a oitava falam do Reino no presente: ele já começou.
Elas descrevem quem já pertence ao Reino pela graça; não são um caminho de méritos.
A promessa é para quem sofre "por causa da justiça" e por causa de Jesus, não pelos próprios erros (1 Pedro 4:15-16).
Manso é quem tem força e a submete a Deus; Jesus se disse manso (Mateus 11:29).
Leia as oito bem-aventuranças devagar e pergunte qual delas está mais longe da sua vida hoje. Mansidão no trânsito? Misericórdia com quem errou com você? Paz na família? Ore por essa, especificamente, durante a semana.
E se você está chorando, sendo injustiçado ou zombado por causa da fé, lembre que Jesus falou primeiro com gente assim. A promessa não é que a dor some na hora, mas que o Reino já é seu e o consolo vem.
Dica: Leia Mateus 5:1-12 e depois Gálatas 5:22-23. As bem-aventuranças e o fruto do Espírito descrevem o mesmo caráter.
O texto conversa com Lucas 6:20-26, Salmo 37:11, Salmo 24:3-4, Isaías 61:1-3, Mateus 11:28-30, Gálatas 5:22-23 e 1 Pedro 4:12-16.
"Bem-aventurados" traduz makarios, que também se verte por "felizes". "Pobres em espírito" (ACF) aparece como "humildes de espírito" em outras versões; Lucas 6:20 diz só "pobres". "Mansos" (praeis) indica quem é gentil e controlado. "Pacificadores" traduz eirēnopoioi, literalmente quem faz a paz.
Jesus não deu oito regras para chegar ao Reino: descreveu oito marcas de quem já está nele. A felicidade que ele anuncia não depende do saldo, da saúde ou do aplauso, mas de pertencer a Deus, e começa aqui, mesmo com lágrimas.
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Wan Anderson Pelicioni de Castro, editor responsável. Sugestão de pauta, correção ou conversa: mande mensagem no Instagram.
Consulta às fontes em 02/11/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas no texto das páginas citadas. A lição da CPAD foi lida na reprodução do site Estudantes da Bíblia. Linha editorial pentecostal adotada pelo portal em 30/10/2026.