Lucas 10:25-37: o que a parábola do bom samaritano responde a quem pergunta quem é o meu próximo
Um doutor da lei queria saber até onde ia a obrigação de amar. Jesus contou uma história e devolveu a pergunta: de quem você foi o próximo?
Um doutor da lei queria saber até onde ia a obrigação de amar. Jesus contou uma história e devolveu a pergunta: de quem você foi o próximo?

"E quem é o meu próximo?" A pergunta parecia simples, mas o doutor da lei queria "justificar-se a si mesmo". Jesus respondeu com a história de um homem espancado, de dois religiosos que passaram de largo e de um samaritano que parou. Uma lição da CPAD e um artigo católico mostram que Jesus inverte a pergunta, e uma pastoral batista lembra que o amor do Reino rompe barreiras. Para nós, pentecostais, o amor que o Espírito derrama no coração se mostra em compaixão prática.
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.Lucas 10:37 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
Judeus e samaritanos viviam em inimizade antiga. Em João 4:9, a mulher samaritana se espanta que Jesus lhe peça água, "porque os judeus não se comunicam com os samaritanos". Por isso o herói da parábola choca: o que cumpre o mandamento não é o sacerdote nem o levita, é alguém de um povo desprezado. Matthew Henry, comentarista inglês do século 18, escreveu que o sacerdote endureceu o coração contra alguém do seu próprio povo e o samaritano o abriu para alguém de outro povo (tradução livre).
A estrada de Jerusalém a Jericó descia por uma região deserta e rochosa. O comentário de Ellicott, no Bible Hub, a descreve como cheia de cavernas frequentadas por bandos de salteadores, e o Pulpit Commentary registra que ela era conhecida como o Caminho de Sangue (tradução livre).
O verbo traduzido por "foi movido de íntima compaixão" (10:33) é splanchnizomai. O léxico de Thayer, no Bible Hub, explica que ele significa ser movido nas entranhas, que eram vistas como a sede do amor e da piedade. É o mesmo verbo usado para o pai do filho pródigo (Lucas 15:20). Henry acrescentou que a compaixão do samaritano não foi uma compaixão ociosa (tradução livre).
Duas perguntas do doutor e duas de Jesus. O doutor pergunta quem é o seu próximo (10:29); Jesus pergunta quem se mostrou próximo (10:36). A resposta não é uma definição, é uma ordem: Vai, e faze da mesma maneira.
Quem é o meu próximo, e o que Jesus ensina sobre o amor ao contar a parábola do bom samaritano?
Wagner Gaby lê a parábola como um desafio ao individualismo: ajudar o próximo está acima das diferenças étnicas e religiosas. Ele rejeita leituras alegóricas que dão ao texto objetivos que ele não tem e lembra que a compaixão do samaritano foi intensa e prática. Ajudar o próximo não salva, mas é fruto de quem foi salvo. E Jesus inverte a pergunta: de quem eu posso ser o próximo?
Na resposta de Jesus, a pergunta é inversa, ou seja, de quem eu posso, ou devo, ser o próximo?"As parábolas de Jesus — As verdades e princípios divinos para uma vida abundante", Lições Bíblicas CPAD, 4º trimestre de 2018, lição 8, "Encontrando o nosso próximo" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia) (25/11/2018)
Hércio Fonseca de Araújo observa que o perito na lei queria definir até onde devia amar, e Jesus respondeu com uma história prática. O sacerdote e o levita conheciam a Lei, mas não tiveram compaixão; o samaritano, rejeitado pelos judeus, parou, se aproximou e cuidou. Para ele, o amor do Reino rompe barreiras, e a indiferença é uma marca do nosso tempo.
Temos sido espectadores da dor em lugar de sermos instrumentos de misericórdia.Pastoral "O Bom Samaritano" (Igreja Batista do Lago) (24/05/2026)
Os autores mostram que a pergunta do doutor (10:29) é respondida por outra pergunta de Jesus (10:36): o próximo não é uma categoria que se aplica aos outros, é um desafio a quem pergunta. Eles lembram que o sacerdote e o levita talvez tivessem medo de que o ferido fosse um engodo de salteadores, e concluem que amar com misericórdia sempre tem risco.
Amar com misericórdia é um risco que sempre teremos que correr."Viu, sentiu compaixão e cuidou dele (Lc 10,33-34)", Encontros Teológicos, v. 34, nº 3 (setembro a dezembro de 2019)
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus ensina que "A estrutura dos Dez Mandamentos resume-se no amor a Deus e ao próximo", o mesmo resumo que o doutor da lei deu a Jesus. E lembra que a igreja cumpre a sua missão também pelo "trabalho social": "A Igreja também exerce o ministério de socorro e misericórdia, que inclui o cuidado dos pobres e dos necessitados, e não somente dos seus membros, mas também dos não membros."
O pentecostal lê a parábola sabendo que esse amor não nasce da força de vontade. É o Espírito Santo que derrama o amor de Deus no coração e dá coragem para parar no caminho. A mesma igreja que ora pelos enfermos e busca os dons espirituais é chamada a atar feridas, pagar a estalagem e voltar para ver como o irmão está.
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
Jesus devolve a pergunta ao doutor da lei: o que está escrito? (10:26)
O problema não era saber o mandamento, era praticá-lo (10:28).
Dois religiosos viram o ferido e seguiram caminho (10:31-32).
O samaritano sentiu e agiu (10:33).
O samaritano pagou o cuidado e prometeu voltar (10:35).
A parábola termina numa ordem, não numa definição (10:37).
Como lembra Wagner Gaby, ajudar o próximo não salva, mas é fruto de quem foi salvo.
A lição da CPAD alerta contra dar ao texto objetivos que ele não tem. O centro é o amor prático.
Jesus não condena a fé dos judeus; mostra que religião sem compaixão não cumpre a Lei que ela mesma ensina.
A pergunta do doutor ainda é nossa: até onde vai a minha obrigação? Jesus troca a pergunta. Em vez de procurar quem merece ajuda, procure quem você pode ajudar nesta semana: um vizinho doente, um irmão em crise, alguém que ninguém vê.
E repare no que o samaritano fez: viu, se aproximou, cuidou, levou, pagou e prometeu voltar. Compaixão custa tempo, dinheiro e risco. A igreja local é um bom lugar para começar: ofereça-se para servir no ministério de socorro, visitar enfermos ou ajudar famílias necessitadas.
Dica: Leia a parábola imaginando-se em cada personagem: o ferido, o sacerdote, o levita e o samaritano. Em qual deles você se reconhece hoje?
O texto conversa com Levítico 19:18 e 34 (amar o próximo e o estrangeiro), Deuteronômio 6:5, Mateus 22:37-40 (os dois grandes mandamentos), Mateus 25:34-40, Gálatas 6:10 e 1 João 3:17-18.
A ACF traz "foi movido de íntima compaixão" (10:33). "Doutor da lei" (10:25) era um especialista na Lei de Moisés. "Dois dinheiros" (10:35) traduz dois denários, a moeda paga por um dia de trabalho. "Passou de largo" quer dizer passou pelo outro lado da estrada.
A parábola do bom samaritano não define quem merece o nosso amor; mostra como o amor age. Jesus trocou a pergunta sobre quem é o meu próximo por outra: de quem eu me mostrei próximo. Quem ama a Deus de todo o coração não passa de largo: para, se aproxima e cuida.
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Wan Anderson Pelicioni de Castro, editor responsável. Sugestão de pauta, correção ou conversa: mande mensagem no Instagram.
Consulta às fontes em 05/11/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas no texto das páginas citadas. A lição da CPAD foi lida na reprodução do site Estudantes da Bíblia. As prédicas luteranas sobre o texto não puderam ser lidas porque o Portal Luterano estava fora do ar. Linha editorial pentecostal adotada pelo portal em 30/10/2026.