Gênesis 1: os dias da criação foram de 24 horas ou longos períodos?
Seis vezes o texto diz "foi a tarde e a manhã". Para nós, são dias comuns, e o essencial é que Deus criou tudo pela palavra.
Seis vezes o texto diz "foi a tarde e a manhã". Para nós, são dias comuns, e o essencial é que Deus criou tudo pela palavra.

Gênesis 1 conta a criação em seis dias e um dia de descanso. As Lições Bíblicas da CPAD e Augustus Nicodemus leem dias comuns de 24 horas; o batista Leandro Peixoto e o missionário presbiteriano Timóteo Carriker leem longos períodos, sem negar que Deus criou cada coisa. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus não fixa a duração, mas rejeita a evolução. Mostramos os dois lados, e dizemos onde estamos.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.Gênesis 1:5 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
Gênesis 1 abre a Bíblia e responde a quem criou, não a como a ciência mede o tempo. Escrito num mundo cheio de mitos em que o sol, a lua e o mar eram deuses, o texto mostra um único Deus que cria tudo pela palavra: os luminares são só "luminares", postos para marcar tempos (1:14-16). A estrutura é cuidadosa: três dias criam espaços (luz, céu e mar, terra) e três os enchem (astros, aves e peixes, animais e o homem).
A discussão sobre a duração dos dias é antiga. Agostinho, no século 5, escreveu que é extremamente difícil, ou talvez impossível, conceber que tipo de dias foram aqueles (tradução livre). João Calvino, no século 16, rejeitou a ideia de uma criação num instante e concluiu que Deus levou seis dias para acomodar as suas obras à capacidade dos homens (tradução livre). Nenhum dos dois conhecia a geologia moderna.
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma que Deus criou todas as coisas "por um ato sobrenatural e imediato, e não por um processo evolutivo", mas não fixa a duração dos dias nem a idade da terra. As Lições Bíblicas da CPAD ensinam dias literais, e a lição de 2015, comentada por Claudionor de Andrade, admitiu um intervalo indefinido entre Gênesis 1:1 e 1:3, antes dos seis dias.
Seis dias com a mesma fórmula, que começa com "disse Deus" e termina com "foi a tarde e a manhã", e um sétimo sem ela. Os três primeiros dias criam espaços, os três seguintes os enchem. A disputa é se essa ordem marca dias comuns ou longos períodos.
Os seis dias de Gênesis 1 foram dias comuns de 24 horas, ou a palavra "dia" indica longos períodos em que Deus criou cada coisa?
Quando "dia" (yom) vem com número e com "tarde e manhã", indica dia comum. O quarto mandamento manda trabalhar seis dias e descansar no sétimo porque Deus fez assim (Êxodo 20:11). Ler os dias como eras nasce do desejo de conciliar o texto com a idade da terra, não do próprio texto.
A lição de Esequias Soares afirma a criação do nada e diz que não há espaço na Bíblia para a evolução em nenhuma de suas versões. No subsídio sobre os dias, a lição reproduz Ken Ham: "dia" vem definido em Gênesis 1:4-5, acompanhado de tarde e manhã e de um número, o que no Antigo Testamento indica dias literais. A mesma revista, em 2015, admitiu um intervalo indefinido antes dos seis dias.
Deus criou o universo do nada; é a chamada creatio ex nihiloLição 2 do 3º trimestre de 2017, "O único Deus verdadeiro e a criação" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia) (09/07/2017)
Augustus Nicodemus diz não ver problema algum em dias de 24 horas. Para ele, quem lê os dias como eras faz isso para conciliar o relato com uma terra muito antiga, não porque o texto sugira períodos. Acha provável que Deus tenha criado a terra já madura, como criou Adão adulto, e adverte que tratar Gênesis 1 a 3 como mito abre a porta para tratar o resto da Bíblia do mesmo jeito.
Eles têm essa postura não porque o texto bíblico sugere que esses dias são períodos, mas porque desejam conciliar o relato bíblico com uma terra muito antigaResposta a leitores no post "Ainda sobre Darwin..." (blog O Tempora, O Mores) (07/03/2008)
Marlon Texeira e Carlos Flávio Teixeira reúnem os argumentos exegéticos: "dia" aparece com numeral, com "tarde e manhã" e junto de termos astronômicos (1:14-16). Salmo 90:4 e 2 Pedro 3:8 não servem de chave, porque usam comparação ("como") e não falam da criação. E o mandamento do sábado (Êxodo 20:11) só faz sentido, dizem, se os dias forem comuns.
Se os dias da criação não correspondessem a dias comuns de 24 horas, não haveria coerência para o mandamento."A metodologia hermenêutica como elemento determinante na interpretação do relato bíblico da criação" (revista Kerygma, Unasp, v. 14, n. 2) (2º semestre de 2019)
A palavra "dia" tem sentido amplo, inclusive na mesma narrativa ("no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus", 2:4). O sétimo dia não tem tarde e manhã e continua (Hebreus 4). Deus criou do nada e diretamente, mas ao longo de eras, sem evolução.
Leandro Peixoto defende o criacionismo progressivo e insiste que isso não é evolução teísta: Deus criou do nada e diretamente, ao longo de eras. Ele reconhece que "tarde e manhã" e a numeração sugerem dias comuns, mas não a ponto de ser categórico, e lembra que nos três primeiros dias não havia sol. Considera os dias literais uma opção válida para evangélicos e diz que nada se ganha ou se perde com a questão.
Nada se ganha (ou se perde) insistindo que Deus criou todas as coisas em seis dias literais de vinte e quatro horas.Sermões "A teoria da criação de seis dias literais" e "A teoria da criação progressiva", série Gênesis: o livro das origens (Segunda Igreja Batista em Goiânia) (26/02/2023)
Timóteo Carriker argumenta que o campo de sentido de "dia" em hebraico inclui períodos, e que o sétimo dia, o descanso de Deus, continua em curso segundo Hebreus. Lembra que pais da igreja como Irineu, Orígenes, Basílio e Agostinho já liam dias longos, muito antes da geologia moderna. Para ele, Gênesis comunica verdades divinas em formas da sua cultura, sem perder autoridade.
a linguagem hebraica a respeito dos “dias” da criação não só permite mas exige o conceito de períodos longos, não somente de 24 horas"Fé e ciência: irmãs gêmeas ou inimigas? (parte 2)" (Ultimato) (16/12/2009)
O Paladino é um portal pentecostal e confessa, com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que Deus criou todas as coisas "por um ato sobrenatural e imediato, e não por um processo evolutivo". Sobre a duração dos dias, a gente fica com a leitura das Lições Bíblicas da CPAD: dias comuns. É o sentido mais natural de "foi a tarde e a manhã, o dia primeiro", e é a leitura que o próprio Deus usa no quarto mandamento: "em seis dias fez o Senhor os céus e a terra" (Êxodo 20:11).
Dizemos isso com humildade. A Declaração de Fé não fixa a duração dos dias, e há irmãos que creem na criação direta de Deus e leem longos períodos, como o pastor Leandro Peixoto, que rejeita a evolução tanto quanto nós. A divergência entre eles e nós é de interpretação, não de fé. O que não aceitamos é tirar Deus do centro: Gênesis 1 é a primeira página de uma Bíblia que termina com novos céus e nova terra, feitos pelo mesmo Deus que disse "haja luz".
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
"E disse Deus: Haja luz; e houve luz" (1:3). A criação é obra da palavra de Deus, não de forças cegas.
A fórmula se repete em cada um dos seis dias e marca o ritmo do texto, o que pesa a favor de dias comuns.
Sol e lua aparecem como luminares a serviço de Deus (1:14-16), não como deuses, ao contrário dos mitos vizinhos.
O homem e a mulher são o ponto alto da criação (1:26-27), e não um acidente.
Deus descansa, abençoa e santifica o sétimo dia (2:1-3), e o mandamento do sábado se apoia nele (Êxodo 20:11).
Qualquer leitura que torne Deus desnecessário contradiz o capítulo inteiro. A Declaração de Fé rejeita a criação "por um processo evolutivo".
A palavra tem sentidos diferentes na Bíblia, mas aqui vem com número e com tarde e manhã. A leitura de longos períodos existe e está relatada acima, mas, para nós, ela força o sentido mais natural do texto.
Irmãos que creem na criação por Deus divergem sobre a duração dos dias. É questão de interpretação, não de fé no Criador.
O texto responde a quem criou e para quê. Exigir dele a linguagem técnica de hoje é fazer uma pergunta que ele não quis responder.
Antes de discutir quantas horas tinha cada dia, leia Gênesis 1 como ele pede para ser lido: como adoração. Deus fala e as coisas existem; ele vê que é bom; ele cria o ser humano à sua imagem e descansa. Quem entende isso já aprendeu o mais importante do capítulo.
E guarde o ritmo que o texto ensina. Seis dias de trabalho e um de descanso não são só uma informação sobre o passado: são um padrão para a vida. Separar um dia para descansar e adorar é confessar que o mundo é de Deus, não nosso.
Dica: Leia Êxodo 20:11 logo depois de Gênesis 2:3. É o versículo que os defensores dos dias comuns consideram decisivo, e os outros precisam explicar.
Os dois lados leem Gênesis 1 com Gênesis 2:4-25, Êxodo 20:8-11 e 31:17, Salmo 33:6-9 e 90:4, João 1:1-3, Hebreus 4:1-11 e 11:3, e 2 Pedro 3:5-8.
"Dia" traduz yom, palavra que pode indicar o período de luz (1:5), o dia de 24 horas ou um tempo indeterminado ("no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus", 2:4). "Sem forma e vazia" (1:2) traduz tohu wabohu. "Expansão" (1:6) traduz raqia, o firmamento. "Criou" (bara, 1:1, 1:21, 1:27) é verbo usado só com Deus como sujeito.
Para nós, a leitura mais natural de Gênesis 1 são dias comuns: seis vezes "foi a tarde e a manhã", e o próprio Deus usa essa semana como modelo no quarto mandamento. Mas o centro do capítulo não é o relógio: é o Deus que falou, e tudo passou a existir, e que fez o ser humano à sua imagem.
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Wan Anderson Pelicioni de Castro, editor responsável. Sugestão de pauta, correção ou conversa: mande mensagem no Instagram.
Consulta às fontes em 01/11/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas no texto das páginas citadas. As Lições Bíblicas da CPAD foram lidas na reprodução do site Estudantes da Bíblia. A Sociedade Criacionista Brasileira não abriu daqui e não foi usada. Linha editorial pentecostal adotada pelo portal em 30/10/2026.