Mateus 19:3-9: quando a Bíblia permite o divórcio e um novo casamento?
Jesus voltou ao princípio: o que Deus ajuntou o homem não separa. Para nós, a infidelidade e o abandono são as únicas exceções bíblicas.
Jesus voltou ao princípio: o que Deus ajuntou o homem não separa. Para nós, a infidelidade e o abandono são as únicas exceções bíblicas.

Os fariseus perguntaram se era lícito repudiar a mulher "por qualquer motivo". Jesus respondeu com Gênesis e abriu uma única exceção: a fornicação. As Assembleias de Deus e os presbiterianos entendem que o adultério e o abandono pelo cônjuge descrente dissolvem o casamento. Outros cristãos ensinam que nenhum novo casamento é possível enquanto o cônjuge vive. Mostramos os dois lados, e dizemos onde estamos.
Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.Mateus 19:6 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
Na época de Jesus, os mestres judeus discutiam Deuteronômio 24:1, que fala de "coisa indecente" como motivo da carta de repúdio. Solano Portela e João Paulo Aquino lembram a disputa entre a escola de Hilel, que admitia o divórcio por quase qualquer motivo, e a de Shammai, mais rígida. A pergunta dos fariseus ("por qualquer motivo") queria colocar Jesus num dos lados.
Jesus não escolheu escola: voltou ao princípio. A carta de divórcio de Moisés, disse ele, foi concessão "por causa da dureza dos vossos corações" (19:8). A lição da CPAD de 2013 lembra que essa carta protegia a mulher, que ficava livre para casar de novo, e que Deuteronômio 24:4 proibia voltar ao primeiro marido.
Marcos 10:11-12 e Lucas 16:18 registram a mesma palavra de Jesus sem a exceção, que aparece só em Mateus (5:32 e 19:9). Matthew Henry, comentarista inglês do século 18, explicou a exceção assim: se a esposa se prostitui e se faz uma só carne com um adúltero, a razão da lei cessa, e com ela a lei; e Jesus o proíbe em todos os outros casos (tradução livre).
Uma armadilha, uma volta ao Éden e uma exceção. Jesus não entra na briga entre as escolas rabínicas sobre os motivos do divórcio: vai ao plano original. A frase "não sendo por causa de fornicação" (19:9) é o centro de todo o debate.
A Bíblia permite o divórcio e um novo casamento em algum caso, como o adultério e o abandono, ou ninguém pode casar de novo enquanto o primeiro cônjuge estiver vivo?
O casamento é para toda a vida, e o divórcio nunca é o ideal de Deus. Mas Jesus abriu uma exceção, a fornicação (Mateus 19:9), e Paulo outra: se o descrente se aparta, o crente "não está sujeito à servidão" (1 Coríntios 7:15). Nesses casos o vínculo se desfaz, e o cônjuge que foi vítima pode casar de novo, no Senhor.
A Declaração de Fé ensina que no casamento os cônjuges prometem fidelidade até que a morte os separe. Ela aponta três casos que justificam a dissolução: morte (Romanos 7:2), infidelidade conjugal (Mateus 5:32 e 19:9) e deserção do cônjuge descrente (1 Coríntios 7:15). E não reconhece casamento religioso entre divorciados que contrarie o que Jesus ensinou.
Reconhecemos o casamento civil e o religioso com efeitos civis desde que não afrontem os princípios bíblicos e, em especial, não seja realizado entre pessoas divorciadas, em desacordo com o preconizado pelo Senhor Jesus.Declaração de Fé (CGADB/CPAD), capítulo XXIV, sobre a família (novembro de 2016)
Elinaldo Renovato ensina que Jesus só admite o divórcio por infidelidade conjugal e que o novo casamento cabe apenas ao cônjuge fiel. Em 1 Coríntios 7:15, o crente abandonado pelo descrente também fica livre para casar de novo, no Senhor. Para ele, proibir a vítima de casar seria puni-la duas vezes, e o celibato imposto não faz parte do plano original de Deus (Gênesis 2:18).
Pelo texto bíblico, está claro que Jesus permite o divórcio, com a possibilidade de haver novo casamento, somente por parte do cônjuge fiel, vítima de prostituição, ou infidelidade conjugal."A Família Cristã no século XXI", Lições Bíblicas CPAD, 2º trimestre de 2013, lição 7, "O Divórcio" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia) (19/05/2013)
João Paulo Aquino sustenta que o divórcio entre cristãos por outro motivo que não o adultério é pecado. O divórcio por adultério não é pecado e permite novo casamento. Para ele, a ordem "fique sem casar" de 1 Coríntios 7:11 recai sobre quem buscou a separação, e existe para manter aberta a reconciliação; o cônjuge abandonado pode casar de novo.
Ainda assim, divórcio em caso de adultério não é pecado e não há restrição bíblica quanto a um novo casamento neste caso."1 Coríntios 7.10-11: divórcio entre cristãos?", Fides Reformata XIX, nº 1 (2014)
Solano Portela comenta Mateus 19:3-6 e chama o divórcio de anomalia, não de norma. Lembra a disputa entre as escolas de Hilel e Shammai e diz que Jesus volta ao princípio. Com a Confissão de Fé de Westminster (24.6) e uma resolução da Igreja Presbiteriana do Brasil, admite o divórcio em só dois casos e critica o divórcio consensual.
Ele é permitido especificamente naqueles dois casos previstos na Escritura: o adultério e a deserção obstinada."O que é matrimônio e divórcio?" (blog O Tempora, O Mores) (29/06/2015)
Marcos 10:11-12 e Lucas 16:18 não trazem exceção: todo novo casamento depois do divórcio é adultério. A "fornicação" de Mateus 19:9 não seria o adultério de casados, mas uma imoralidade ligada ao noivado ou uma união ilícita. 1 Coríntios 7:15 libera da convivência, não para casar de novo. Só a morte desfaz o vínculo (1 Coríntios 7:39).
Ricardo Meneghelli ensina que divorciar-se e casar de novo, ou casar com divorciado, é adultério, e que o adultério do cônjuge não libera o inocente. Para ele, a palavra porneia em Mateus 5:32 e 19:9 não quer dizer adultério, e sim imoralidade descoberta logo após o casamento ou uma união ilícita. Em 1 Coríntios 7:15, o abandonado fica livre da convivência, não para outro casamento; só a viuvez libera.
O adultério de um dos dois, não libera o cônjuge inocente para casar-se com outro."Divórcio e Novo Casamento" (site O Discípulo) (sem data na página (consultada em 02/11/2026))
O Catecismo ensina que o casamento entre batizados, celebrado e consumado, só se dissolve pela morte. O divórcio civil pode ser tolerado em certos casos, para garantir direitos como o cuidado dos filhos, mas uma nova união enquanto o cônjuge vive é adultério. O Catecismo reconhece que o cônjuge vítima inocente do divórcio civil não peca, mas não lhe dá o direito de casar outra vez.
o cônjuge casado outra vez encontra-se numa situação de adultério público e permanenteCatecismo da Igreja Católica, parágrafos 2382 a 2386 (sem data na página (consultada em 02/11/2026))
Estamos com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus. O casamento é aliança para a vida inteira: os cônjuges prometem "viver em fidelidade mútua, até que a morte os separe". O divórcio não é saída para crises, desamor ou incompatibilidade, e o caminho do crente diante das dificuldades é o perdão, a oração e a restauração.
Mas a Bíblia reconhece que a aliança pode ser quebrada. A Declaração afirma que a dissolução do casamento se justifica em três casos, a morte, a infidelidade conjugal e a deserção do cônjuge descrente, com base em Mateus 19:9 e 1 Coríntios 7:15. Entendemos, como a lição da CPAD de 2013, que nesses casos o cônjuge fiel pode casar de novo, no Senhor.
Respeitamos os irmãos que leem a exceção de forma mais restrita: eles querem honrar o mesmo Jesus que disse "o que Deus ajuntou não o separe o homem". E lembramos que a graça alcança quem errou. O divorciado arrependido não está fora do amor de Deus nem do cuidado da igreja.
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
A pergunta dos fariseus (19:3) era uma armadilha sobre os motivos do divórcio.
Jesus responde com Gênesis 1:27 e 2:24: o plano de Deus vem antes da concessão de Moisés.
"O que Deus ajuntou não o separe o homem" (19:6): o casamento é obra de Deus, não contrato humano.
A carta de divórcio foi concessão ao pecado humano (19:8), não o ideal de Deus.
A exceção de 19:9 é o ponto em que os dois lados do debate se separam.
1 Coríntios 7:15 é o segundo texto disputado: libertação para casar de novo ou só da convivência.
A Declaração de Fé e os presbiterianos citados admitem o divórcio só nos casos bíblicos. Desentendimento, desamor ou incompatibilidade não estão na lista.
Os dois lados reconhecem que o cônjuge vítima do divórcio não pecou ao sofrê-lo. A igreja deve acolher e orientar.
Cristãos sérios leem a cláusula de exceção de modos diferentes. A divergência é de interpretação, não de fidelidade a Cristo.
Se você é casado, o texto é antes de tudo um chamado a cuidar do casamento: Jesus não começou pelas exceções, começou pelo plano de Deus. Antes de perguntar quando é permitido sair, pergunte o que você pode fazer hoje para que a aliança fique mais forte.
Se você passou por um divórcio, saiba que a igreja não é lugar de condenação. Converse com o seu pastor sobre a sua situação, com sinceridade e sem pressa, à luz da Palavra. Quem foi traído ou abandonado precisa de acolhimento, e quem errou encontra em Cristo perdão para recomeçar.
Dica: Leia Mateus 19:3-9 duas vezes: na primeira, olhe só para o que Jesus diz sobre o princípio; na segunda, para a exceção. A ordem importa: o plano de Deus vem antes da concessão.
Os dois lados leem Mateus 19 com Gênesis 2:24, Deuteronômio 24:1-4, Malaquias 2:14-16, Mateus 5:31-32, Marcos 10:2-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:10-16 e 39.
A ACF traz "não sendo por causa de fornicação"; outras versões dizem "relações sexuais ilícitas" ou "imoralidade sexual". A palavra grega é porneia, mais ampla que moicheia (adultério), e é aqui que os lados divergem: uns leem porneia incluindo o adultério de casados, outros a limitam a faltas do noivado ou a uniões ilícitas. "Repudiar" traduz apolyō, despedir, mandar embora.
Jesus colocou o casamento no lugar mais alto: uma só carne, obra de Deus. Para nós, o divórcio só é admissível quando a própria aliança foi quebrada pela infidelidade ou pelo abandono do descrente, e o cônjuge fiel pode recomeçar no Senhor. Quem lê de forma mais restrita também quer honrar o mesmo Jesus.
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Wan Anderson Pelicioni de Castro, editor responsável. Sugestão de pauta, correção ou conversa: mande mensagem no Instagram.
Consulta às fontes em 02/11/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas no texto das páginas citadas. As lições da CPAD foram lidas na reprodução do site Estudantes da Bíblia. No lado restritivo, não foi encontrado autor evangélico brasileiro de alcance nacional com texto lido; por isso entram um autor de alcance menor e o Catecismo da Igreja Católica. Linha editorial pentecostal adotada pelo portal em 30/10/2026.