Malaquias 3:10: o dízimo ainda vale para a igreja da nova aliança
Abraão dizimou antes da Lei e Jesus não revogou o dízimo. Para nós, pentecostais, ele vale hoje: entregue com alegria, nunca como troca.
Abraão dizimou antes da Lei e Jesus não revogou o dízimo. Para nós, pentecostais, ele vale hoje: entregue com alegria, nunca como troca.

Malaquias acusou Israel de roubar a Deus nos dízimos e nas ofertas e chamou o povo a trazê-los à casa do tesouro. As Assembleias de Deus incluem os dízimos no culto e leem Mateus 23:23 e Hebreus 7 como sinal de que a prática continua. A Congregação Cristã no Brasil e outros irmãos dizem que, na nova aliança, a contribuição é voluntária e sem percentual. Mostramos os dois lados e dizemos onde estamos.
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos.Malaquias 3:10 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
Malaquias é o último livro profético do Antigo Testamento, escrito depois da volta do exílio, quando o templo já tinha sido reconstruído. O profeta denuncia sacerdotes que ofereciam animais defeituosos, casamentos desfeitos e o descaso com os dízimos, que sustentavam os levitas e os necessitados (Deuteronômio 14:28-29; Neemias 13:10-12).
O dízimo aparece antes da Lei: Abraão deu a Melquisedeque o dízimo de tudo (Gênesis 14:20), e Jacó prometeu dar o dízimo em Betel (Gênesis 28:22). Na Lei, ele sustentava os levitas (Números 18:21). No Novo Testamento, Jesus fala dele em Mateus 23:23 e Lucas 11:42, e Hebreus 7 retoma o encontro de Abraão com Melquisedeque.
Matthew Henry, comentarista inglês do século 18, explica que os dízimos sustentavam sacerdotes e levitas, que o povo os retinha ou trazia o pior, e que a maldição veio como fome e escassez. "Roubar a Deus é um crime hediondo", escreveu. As igrejas brasileiras seguem caminhos diferentes: as Assembleias de Deus e a maioria das igrejas históricas ensinam o dízimo; a Congregação Cristã no Brasil trabalha só com ofertas voluntárias e ministério não remunerado.
Chamado, acusação, ordem e promessa. A disputa está em saber se a ordem do versículo 10, dada a Israel, chega à igreja e como.
A ordem de Malaquias 3:10 vale para a igreja da nova aliança, ou o dízimo terminou com o sacerdócio levítico e hoje a contribuição é voluntária e sem percentual?
Abraão deu o dízimo a Melquisedeque antes da Lei, e Hebreus 7 liga Cristo à ordem de Melquisedeque. Jesus disse que o dízimo não devia ser omitido (Mateus 23:23), e Paulo usou o sustento dos levitas como base para o sustento dos obreiros. O dízimo é a forma de contribuição planejada e proporcional que o próprio Deus fixou.
A Declaração de Fé não discute Malaquias 3 nem a obrigatoriedade do dízimo em capítulo próprio, mas o põe entre os elementos do culto: oração, louvor, leitura e exposição da Bíblia e contribuição financeira, "ou seja, ofertas e dízimos". E acrescenta que a adoração fica incompleta sem algum desses elementos, salvo circunstâncias desfavoráveis.
Ela consiste em oração, louvor, leitura bíblica, exposição das Escrituras Sagradas ou testemunho e contribuição financeira, ou seja, ofertas e dízimos.Declaração de Fé (CGADB/CPAD), capítulo XV, "Sobre a verdadeira adoração", item 3 (novembro de 2016)
Ciro Zibordi sustenta que o dízimo é prática do Novo Testamento: Jesus o trata como dever em Mateus 23:23, e nenhum texto o desaprova. A obra precisa de sustento, como os levitas precisavam. Mas a motivação deve ser o amor, não a barganha: para ele, dar é ao mesmo tempo obrigação do cristão e ato voluntário, como a evangelização.
O que está registrado em Mateus 23.23 já seria suficiente para nos fazer crer que a prática do dízimo é neotestamentária"Dízimo é uma obrigação, um ato de amor ou ambas as coisas?" (Blog do Ciro) (25/02/2012)
A lição da CPAD responde a quem restringe o dízimo ao Antigo Testamento: a natureza do culto não mudou. O dízimo levítico pertencia à ordem transitória de Arão, mas o dízimo de Abraão a Melquisedeque pertence à ordem de Cristo (Hebreus 7). E Paulo, ao defender o sustento do obreiro em 1 Coríntios 9, usa justamente o modelo dos que serviam no templo.
O dízimo levítico pertencia à ordem de Arão, que era transitória"A verdadeira prosperidade", 1º trimestre de 2012, lição 9, "Dízimos e ofertas" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia e no Blog do Ciro) (26/02/2012)
Solano Portela defende o dízimo, mas por outro caminho: não pela Lei de Moisés, cuja defesa considera exegeticamente fraca, e sim pela prática anterior à Lei (Abraão e Jacó) somada a dois princípios do Novo Testamento, a contribuição planejada (2 Coríntios 9:7) e proporcional (1 Coríntios 16:2). O dízimo, para ele, é a proporção que o próprio Deus já indicou.
O dízimo representa a essência da contribuição planejada e sistemática"Mordomia" (site do autor) (2005)
Jesus falou do dízimo quando a Lei ainda vigorava, e os apóstolos nunca o ordenaram à igreja. Hebreus 7 diz que, mudado o sacerdócio, muda também a lei. O padrão do Novo Testamento é a generosidade voluntária e alegre, que pode ir além de dez por cento, sem regra fixa.
A Congregação Cristã no Brasil reconhece que o dízimo tem base no Antigo Testamento e é anterior à Lei, mas diz que a ordem de Malaquias foi dada a Israel. Jesus falou do dízimo ainda sob a Lei; Paulo anunciou "todo o conselho de Deus" sem incluí-lo; e Hebreus 7:12 ensina que a mudança do sacerdócio muda a lei. A igreja mantém só ofertas voluntárias.
No contexto do Novo Testamento não há nenhum percentual estabelecido como regra de contribuição aos regenerados em Cristo Jesus.Circular nº 186/2024, "O dízimo à luz do Novo Testamento" (31/03/2024)
André Aloísio liga o dízimo à lei cerimonial e ao sistema de sacrifícios, abolidos em Cristo (Hebreus 9 e 10). Mateus 23:23 foi dito antes da cruz, e Hebreus 7 trata da superioridade de Cristo, não da validade do dízimo. O padrão do Novo Testamento é dar o máximo, de boa vontade, e sustentar os pastores. A quem está em igreja dizimista, recomenda continuar contribuindo, como oferta voluntária.
O dízimo nos moldes que nós temos no Antigo Testamento não é mais aplicável nos nossos dias."O dízimo é válido nos dias de hoje?" (Voltemos ao Evangelho) (19/06/2010)
O Paladino é um portal pentecostal, e aqui a gente fica com as Assembleias de Deus: o dízimo vale para a igreja. A Declaração de Fé põe "ofertas e dízimos" entre os elementos do culto, ao lado da oração, do louvor e da Palavra. E as razões bíblicas são fortes: Abraão deu o dízimo a Melquisedeque antes de existir a Lei (Gênesis 14:20), Hebreus 7 apresenta Cristo como sacerdote dessa ordem, e Jesus, ao repreender os fariseus, disse que o dízimo não devia ser omitido (Mateus 23:23).
Mas a gente diz com a mesma clareza: dízimo não é barganha. Quem entrega dez por cento para obrigar Deus a devolver cem não entendeu Malaquias nem o evangelho. A bênção de Deus é graça, e o dízimo é resposta de gratidão de quem já foi abençoado em Cristo. Também não cabe usar a maldição de Malaquias 3:9 como ameaça: Cristo levou a maldição sobre si (Gálatas 3:13).
Respeitamos os irmãos da Congregação Cristã no Brasil, pentecostais como nós, e os que pensam como eles: a defesa que fazem da generosidade voluntária é bíblica, e o cuidado deles com o dinheiro na igreja é exemplo. Discordamos que o dízimo tenha acabado. Para nós, ele é o ponto de partida da mordomia cristã, entregue com alegria (2 Coríntios 9:7) e com a confiança de quem sabe que o Senhor não muda.
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
O trecho começa com "eu, o Senhor, não mudo" (3:6): a fidelidade de Deus é a base do chamado à fidelidade do povo.
Abraão deu o dízimo a Melquisedeque séculos antes de Moisés (Gênesis 14:20). Hebreus 7 liga Cristo a essa ordem.
"Deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas" (Mateus 23:23): Jesus corrigiu os fariseus pela falta de justiça e misericórdia, não pelo dízimo.
O dízimo existia "para que haja mantimento na minha casa" (3:10): sustentar a obra e quem serve nela.
"Fazei prova de mim" é convite a confiar no Deus que cuida, não contrato de investimento.
O dízimo não compra bênção nem obriga Deus a nada. A teologia da prosperidade erra justamente aí, na barganha, como reconhecem os dois lados deste debate.
O dízimo é anterior à Lei e Jesus não o revogou. A leitura de que ele acabou existe e está relatada acima, mas, para nós, ela não dá conta de Gênesis 14 e Mateus 23:23.
A maldição de 3:9 foi dita a Israel na antiga aliança. Na igreja, o dízimo se ensina com a graça de Cristo, que já levou a maldição sobre si (Gálatas 3:13).
O dízimo é o começo da generosidade, não o teto. A igreja de Atos repartia os bens, e a viúva deu tudo o que tinha.
Dizimar começa no coração, não no boleto. Antes de separar o dízimo, reconheça que tudo o que você tem veio de Deus, e entregue com gratidão, como Abraão diante de Melquisedeque. Se a entrega vier com medo de maldição ou com expectativa de lucro, pare e reveja a motivação.
Na prática: separe o dízimo assim que receber, não com o que sobrar no fim do mês; acompanhe como a sua igreja usa os recursos; e não pare no dízimo: as ofertas, a ajuda ao necessitado e o sustento das missões também são parte da mordomia cristã.
Dica: Leia Hebreus 7:1-10 antes de discutir: é o texto do Novo Testamento que mais fala de dízimo, e cada lado o lê de um jeito.
Os dois lados leem Malaquias 3 com Gênesis 14:18-20 e 28:20-22, Levítico 27:30-32, Números 18:21-26, Neemias 13:10-12, Mateus 23:23, Hebreus 7:1-19, 1 Coríntios 9:9-14 e 16:2 e 2 Coríntios 8 e 9.
"Dízimo" traduz o hebraico ma'aser, a décima parte. "Casa do tesouro" eram os depósitos do templo onde se guardavam os dízimos de cereais e de frutos (Neemias 13:12). "Fazei prova de mim" usa um verbo de testar, aqui como convite de Deus. "O devorador" (3:11) é provavelmente a praga que destruía as colheitas.
O dízimo vale para a igreja: veio antes da Lei, Jesus não o revogou e a obra de Deus ainda precisa de mantimento na casa. Mas o dízimo pentecostal se entrega com alegria e fé, nunca como compra de bênção. Quem dizima por amor dá mais do que dez por cento: dá o coração.
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Consulta às fontes em 30/10/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas no texto das páginas citadas. As Lições Bíblicas da CPAD foram lidas na reprodução do site Estudantes da Bíblia e no Blog do Ciro. Linha editorial pentecostal adotada pelo portal em 30/10/2026.