A igreja de Corinto tinha muitos dons e muita divisão. Nos capítulos 12 a 14, Paulo trata dos dons espirituais: no 12, um só Espírito e um só corpo; no 14, a ordem no culto, com regras para línguas e profecia. O capítulo 13 fica no meio e muda a pergunta: sem amor, os maiores dons não valem nada.
Nos versículos 8 a 12, Paulo contrasta o que dura com o que é passageiro. Profecia, línguas e conhecimento são "em parte". "O que é perfeito" traduz to teleion, "o completo", "o que chegou ao fim". As imagens que seguem, do menino que vira homem e do espelho que dá lugar ao face a face, descrevem a diferença entre a fase atual e a final.
Há três leituras principais de to teleion: a Bíblia completa (o cânon), a maturidade da igreja e a volta de Cristo. A leitura do cânon é popular em parte do meio cessacionista, mas é rejeitada até por cessacionistas como Anamim Lopes da Silva, que seguem Richard Gaffin e leem o perfeito como a volta de Cristo.
Os comentaristas antigos também ligaram o perfeito à consumação. Calvino escreve que a perfeição começa na morte, mas só se manifesta por completo no dia do juízo. Matthew Henry põe o perfeito no céu, mas diz que os dons extraordinários eram para edificar a igreja só por um tempo. É o mesmo cruzamento do debate de hoje: concordar sobre o versículo não resolve a questão.