Mateus 6:9-13: o que Jesus ensina sobre oração em cada frase do Pai Nosso
Jesus não deu uma reza para decorar e esquecer: deu um roteiro para falar com o Pai, primeiro sobre ele, depois sobre nós.
Jesus não deu uma reza para decorar e esquecer: deu um roteiro para falar com o Pai, primeiro sobre ele, depois sobre nós.

No Sermão do Monte, Jesus avisa contra a oração de vitrine e as repetições vazias e entrega aos discípulos a oração que todo cristão conhece. Comentaristas da CPAD, presbiteriano e luterano concordam no essencial: Deus é Pai, o Reino vem primeiro e quem pede perdão precisa perdoar. Para nós, pentecostais, o Pai Nosso é escola de oração que o Espírito Santo continua ensinando todos os dias.
Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.Mateus 6:9-10 · Almeida Corrigida Fiel (ACF), © Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, citação curta
O Pai Nosso está no centro do Sermão do Monte (Mateus 5 a 7). Em 6:1-18, Jesus trata de três práticas de piedade do judaísmo, a esmola, a oração e o jejum, sempre com o mesmo alerta: não faça para ser visto pelos homens. A oração entra no meio, e Jesus a desenvolve mais do que as outras duas.
Lucas traz uma versão mais curta, em outro momento: os discípulos veem Jesus orando e pedem "Senhor, ensina-nos a orar" (Lucas 11:1-4). Sobre o final "porque teu é o reino, e o poder, e a glória", presente na Almeida Corrigida Fiel, tanto o luterano Wilfrid Buchweitz quanto uma lição da CPAD de 2017 registram que ele não aparece nos manuscritos mais antigos de Mateus; a lição o chama, mesmo assim, de final "totalmente cristão".
Matthew Henry, comentarista inglês do século 18, observou que Cristo, ao orar, quase sempre chamava Deus de Pai, e que nada agrada mais a Deus nem nos faz mais bem do que chamá-lo assim. John Wesley dividiu a oração em prefácio, pedidos e conclusão e escreveu que o prefácio, "Pai nosso, que estás nos céus", é o fundamento de toda oração confiante.
Dois avisos, uma oração e um comentário. A oração tem seis pedidos: três voltados para Deus ("teu") e três para as nossas necessidades ("nosso"), como nota a lição da CPAD de 2021.
O que muda na nossa oração quando seguimos o roteiro que Jesus deu: primeiro o Pai e o Reino, depois as nossas necessidades?
A lição da CPAD destaca a novidade de Jesus: o Antigo Testamento chama Deus de Pai poucas vezes, e Jesus não só fala com ele assim como abre esse acesso aos discípulos. Diante da pergunta se o Pai Nosso é fórmula para repetir ou roteiro, a lição responde que o essencial é orar de coração, e recomenda ler junto o paralelo de Lucas 11:1-4.
A novidade trazida pelo Senhor é a forma íntima como não apenas Ele se dirige ao Pai, mas também sua abertura a cada um de seus discípulos para que possam dirigir-se ao Criador da mesma forma."O Sermão do Monte: a justiça sob a ótica de Jesus", 2º trimestre de 2017, lição 6, "O Pai-Nosso" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia) (07/05/2017)
A lição de 2021 lê a oração em secreto como intimidade, não como segredo de conteúdo. Divide o Pai Nosso em seis pedidos, três voltados para Deus e três para as nossas necessidades, e observa que os pronomes estão no plural: é uma oração altruísta, feita com os irmãos e por eles. Destaca ainda a reciprocidade do perdão e o Reino presente e futuro.
A oração do Pai-Nosso foi deixada por Jesus para nos ensinar acerca da importância da oração em oculto, da primazia de Deus no direcionamento de nossas petições e do valor do altruísmo em nossa trajetória cristã."Ensina-nos a orar", 1º trimestre de 2021, lição 10, "Jesus e a oração do Pai-Nosso" (reproduzida no site Estudantes da Bíblia) (07/03/2021)
Augustus Nicodemus define a oração como apresentar a Deus, por meio de Cristo e com a ajuda do Espírito, pedidos, confissão, intercessão e agradecimento. Devemos pedir o que glorifica a Deus, faz crescer o Reino e serve ao nosso bem e ao do próximo, e é isso, diz ele, que Jesus ensinou no Pai Nosso. Hipocrisia, vãs repetições e falta de perdão atrapalham a oração (Mateus 6:5-15).
Orar a Deus deveria ser uma coisa simples."Afinal, o que é orar?" (blog O Tempora, O Mores) (03/11/2013)
Wilfrid Buchweitz situa o texto no Sermão do Monte, no bloco sobre esmola, oração e jejum (Mateus 6:1-18). Jesus não condena essas práticas, mas o espírito de quem as faz para ser visto: na oração autêntica, o alvo é Deus. Ele também registra que a doxologia final ("teu é o reino, e o poder, e a glória") não está nos manuscritos mais antigos de Mateus, mas já era usada pelos cristãos no século 2.
Jesus não desaprova a oração, como não desaprova a esmola e o jejum. Mas ele desaprova o espírito com que estas coisas são feitas.Auxílio homilético sobre Mateus 6:5-13, Proclamar Libertação, volume 2 (Portal Luterano) (15/05/1977 (data da pregação))
Pentecostal é gente que ora: em casa, no círculo de oração, na vigília, no culto. O Pai Nosso é a escola dessa oração, e a gente o lê com o mesmo amor de qualquer cristão. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, ao falar da oração, cita justamente Mateus 6:5-6: "Nessa oração individual e privativa ou congregacional, apresentamos a Deus nossa gratidão e nossas petições."
O que a tradição pentecostal acrescenta é lembrar quem nos ensina a orar hoje. Em Lucas, logo depois do Pai Nosso, Jesus diz que o Pai dará o Espírito Santo a quem pedir (Lucas 11:13). É o Espírito que nos faz clamar "Aba, Pai" (Romanos 8:15) e que intercede por nós quando não sabemos o que pedir (Romanos 8:26). Por isso, para nós, o Pai Nosso não é ponto de chegada: é a porta de entrada para uma vida de oração cheia do Espírito, em que a gente ora com o entendimento e também com o espírito (1 Coríntios 14:15).
Posição O Paladino · linha editorial pentecostal
Jesus nos ensina a chamar Deus de Pai, com a intimidade de filho que ele mesmo tinha.
Ninguém ora o Pai Nosso sozinho: até no quarto fechado, a oração inclui os irmãos.
Os três primeiros pedidos são sobre o nome, o Reino e a vontade de Deus. Só depois vêm as nossas necessidades.
A provisão é pedida para hoje, como o maná no deserto: dependência diária, não estoque.
O único pedido que Jesus comenta é o do perdão (6:14-15): quem foi perdoado aprende a perdoar.
"Entra no teu aposento" (6:6): a oração que Deus recompensa não tem plateia.
Jesus avisou contra as vãs repetições logo antes de ensinar a oração. Dá para orar o Pai Nosso de cor, desde que o coração vá junto.
A oração começa com o nome, o Reino e a vontade de Deus. Quem só pede está usando metade do roteiro.
É o modelo, não a única fórmula: a Bíblia está cheia de orações diferentes, e a igreja ora em todas as formas.
Use o Pai Nosso como roteiro durante uma semana: antes de pedir qualquer coisa, gaste tempo no "santificado seja o teu nome" e no "seja feita a tua vontade". Depois apresente o pão de cada dia, os seus pecados e as suas lutas. A ordem muda o coração de quem ora.
E faça a pergunta que Jesus fez questão de comentar: tem alguém que eu preciso perdoar antes de pedir perdão? O versículo 14 não é ameaça, é convite para orar de mãos limpas.
Dica: Ore o Pai Nosso devagar, parando depois de cada frase para completar com a sua vida: qual nome precisa ser santificado no seu dia? Qual vontade de Deus você está resistindo?
O Pai Nosso conversa com Lucas 11:1-13 (o pedido dos discípulos e o Pai que dá o Espírito Santo), Marcos 14:36 (Aba, Pai), Romanos 8:15 e Gálatas 4:6 (o Espírito que clama Aba, Pai), Mateus 18:21-35 (o servo que não perdoou) e João 17 (a oração de Jesus pelos seus).
"O pão nosso de cada dia" traduz epiousios, palavra rara no grego que pode significar "para hoje" ou "para amanhã"; a lição da CPAD de 2017 comenta o termo. "Dívidas" (Mateus) aparece como "pecados" em Lucas 11:4. "Livra-nos do mal" pode ser lido como "do Maligno", como fazem várias versões modernas. A doxologia final está na Almeida Corrigida Fiel, mas não nos manuscritos mais antigos.
O Pai Nosso é curto de propósito: cabe na memória de uma criança e no coração de um ancião. Quem ora como Jesus ensinou começa adorando o Pai, entrega o dia ao Reino, pede só o pão de hoje e sai da oração disposto a perdoar.
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Consulta às fontes em 30/10/2026.
Pesquisa nas fontes listadas e redação feitas com apoio de inteligência artificial. Citações literais conferidas no texto das páginas citadas. As Lições Bíblicas da CPAD foram lidas na reprodução do site Estudantes da Bíblia. Linha editorial pentecostal adotada pelo portal em 30/10/2026.