Perdoar é cancelar a dívida de quem nos ofendeu, como Deus cancelou a nossa em Cristo. Não é esquecer nem dizer que não foi nada: é largar a vingança e entregar a causa a Deus. O perdão é sempre devido; a reconciliação depende também do outro.
- Jesus mandou perdoar "setenta e sete vezes" (Mateus 18:22), sem contar as ofensas.
- José chamou o mal pelo nome, "vocês planejaram aquela maldade contra mim", e mesmo assim não se vingou (Gênesis 50:20-21).
- "perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês" (Efésios 4:32).
Texto central: Mateus 18:21-35Leitura: cerca de 11 min

Versículo-chave
Pelo contrário, sejam bons e atenciosos uns para com os outros. E perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês.Efésios 4:32 · NTLH
Questão central
Alguém traiu você, mentiu, feriu, humilhou. A ferida ainda dói. Agora você é cristão e ouve que precisa perdoar. Mas perdoar é esquecer? É fingir que não foi nada? É voltar a confiar em quem fez o mal? E se a pessoa nem pediu perdão? O que Jesus está pedindo, afinal?
Introdução
Quem começa a digitar no Google "como perdoar" recebe sugestões como "quem te feriu" e "uma traição". Na busca "perdoar é esquecer", aparece também "perdoar não é esquecer". A dúvida é sincera, e muitas vezes vem de uma dor real.
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus define o perdão que recebemos de Deus assim: "Perdão é a absolvição de uma dívida e a remissão de um castigo." Jesus usou exatamente essa imagem, a de uma dívida perdoada, para ensinar como devemos perdoar os outros.
Em poucas linhas
- PerguntaPedro"quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?" (Mateus 18:21)
- ParábolaO empregadoFoi perdoado de milhões e não perdoou cem moedas (Mateus 18:23-35)
- ExemploJoséPerdoou os irmãos que o venderam (Gênesis 50:15-21)
- CruzJesus"Pai, perdoa esta gente!" (Lucas 23:34)
Fundamentação bíblica
Pedro achou que estava sendo generoso quando perguntou se devia perdoar até sete vezes. Jesus respondeu com uma história:
21 Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?"
22 "Não!", respondeu Jesus. "Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes."
32 Aí o patrão chamou aquele empregado e disse: "Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você me devia.
33 Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você."
Texto bíblico: Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). Copyright 2000 Sociedade Bíblica do Brasil. Todos os direitos reservados. Os versículos são de Mateus 18:21-22 e 32-33; as falas, que na NTLH vêm depois de travessão, estão aqui entre aspas.
Desenvolvimento
A dívida enorme e a dívida pequena
Na história de Jesus, um empregado devia ao rei "milhões de moedas de prata". Não tinha como pagar. Pediu paciência, e o patrão "teve pena dele, perdoou a dívida e deixou que ele fosse embora" (Mateus 18:27).
Esse mesmo empregado encontrou um companheiro que lhe devia "cem moedas de prata". Pegou-o pelo pescoço e mandou pô-lo na cadeia. Quando o patrão soube, disse: "você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você".
João Calvino, o reformador de Genebra, comentou essa história com uma pergunta: como são pequenas as ofensas que os irmãos nos fazem, se pensarmos em quanto devemos a Deus! Quem sabe o tamanho do perdão que recebeu aprende a perdoar.
Sem contar as vezes
Pedro propôs sete vezes. Jesus disse "setenta e sete vezes" (outras traduções dizem "setenta vezes sete"). Calvino explicou que Jesus não quis fixar um número, mas mandar que nunca nos cansemos de perdoar.
Matthew Henry, pastor britânico (1662-1714) cujo comentário bíblico ainda é muito lido, escreveu que não fica bem ficarmos contando as ofensas que os irmãos nos fazem. Deus guarda as contas, porque ele é o Juiz. Nós não podemos, para não sentar no lugar dele.
Perdoar não é dizer que não foi nada
José foi vendido como escravo pelos próprios irmãos. Anos depois, no Egito, ele os perdoou. Mas repare no que disse: "É verdade que vocês planejaram aquela maldade contra mim, mas Deus mudou o mal em bem" (Gênesis 50:20). José chamou o mal de mal. E mesmo assim não se vingou: "Não tenham medo. Eu cuidarei de vocês e dos seus filhos" (Gênesis 50:21).
Jesus também mandou tratar o erro com clareza: "Se o seu irmão pecar, repreenda-o; se ele se arrepender, perdoe" (Lucas 17:3). Perdoar não é aprovar o que foi feito.
Perdoar é largar a vingança
Paulo escreveu: "Não paguem a ninguém o mal com o mal". E: "nunca se vinguem de ninguém; pelo contrário, deixem que seja Deus quem dê o castigo" (Romanos 12:17, 19). Perdoar é tirar a vingança das próprias mãos e colocá-la nas mãos de Deus.
Isso não apaga a justiça. Paulo diz, logo depois, que as autoridades "têm poder para castigar" quem faz o mal (Romanos 13:4). Quem sofreu um crime pode perdoar e, ao mesmo tempo, procurar a justiça.
Perdão e reconciliação
E se a pessoa não se arrependeu? Jesus, na cruz, orou: "Pai, perdoa esta gente! Eles não sabem o que estão fazendo" (Lucas 23:34). Ele perdoou quem nem tinha pedido.
Calvino explicou que há dois modos de perdoar. No primeiro, a pessoa deixa de lado o desejo de vingança, continua amando e até retribui o mal com o bem. Isso devemos sempre, mesmo a quem não se arrepende. No segundo, recebemos o outro de volta à confiança. Isso acompanha o arrependimento dele. Calvino acrescentou que podemos perdoar e, ainda assim, observar com cuidado a conduta da pessoa dali em diante.
Henry disse algo parecido: quando o outro nem diz que se arrependeu, não podemos guardar ódio nem planejar vingança, mas não somos obrigados a ter com ele a mesma intimidade de antes.
E se a ferida ainda dói?
Muita gente acha que só pode perdoar quando sentir vontade. Mas Jesus não pôs o sentimento como condição. Perdoar é, antes de tudo, uma decisão diante de Deus, que às vezes precisa ser renovada muitas vezes, até a dor passar.
John Wesley, o pregador inglês que deu origem ao metodismo, falou de perdoar "by his grace", pela graça de Deus. Não fazemos isso pela nossa força. Paulo diz: "perdoem uns aos outros, assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês" (Efésios 4:32).
Por que é tão sério
Na oração do Pai Nosso, Jesus ensinou a pedir: "Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam". E explicou: "se não perdoarem essas pessoas, o Pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês" (Mateus 6:12, 15).
Wesley leu essas palavras como a condição e a medida do perdão que recebemos de Deus. Henry disse que quem não perdoa mostra que nunca se arrependeu de verdade dos próprios pecados. Com ênfases diferentes, os dois concordam: quem foi perdoado por Deus precisa perdoar.
Leituras equivocadas
Perdoar obriga a voltar para uma situação de abuso Grave
O perdão larga a vingança; a confiança depende de arrependimento. Calvino: perdoar e vigiar a conduta do outro dali em diante.
Perdoar é dizer que não foi nada Moderada
José disse "vocês planejaram aquela maldade contra mim" e perdoou (Gênesis 50:20).
Só posso perdoar quando sentir vontade Moderada
Jesus não pôs o sentimento como condição; perdoamos pela graça, "assim como Deus, por meio de Cristo, perdoou vocês" (Efésios 4:32).
Perdoar sete vezes já é muito Leve
"Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes" (Mateus 18:22).
Aplicação prática
- Lembre do seu perdão. Antes de pensar na dívida do outro, lembre do quanto Deus perdoou você.
- Chame o mal pelo nome. Diga a Deus o que aconteceu e o quanto doeu. Perdoar não é fingir.
- Decida não se vingar. Entregue a causa a Deus em oração, mesmo que o sentimento ainda não tenha mudado.
- Ore pela pessoa. Jesus orou por quem o crucificava. Peça a Deus o bem de quem feriu você.
- Converse, se for possível. Siga Mateus 18:15: fale em particular. Se não for seguro, peça ajuda ao pastor.
- Proteja-se, se for preciso. Perdão não é voltar ao abuso. Procure ajuda e as autoridades quando houver perigo.
Perguntas para reflexão
- O que a dívida de "milhões de moedas de prata" ensina sobre o nosso perdão?
- Por que perdoar não é o mesmo que dizer que o mal não aconteceu?
- Qual é a diferença entre perdoar e reconciliar-se?
- Há alguém que você precisa perdoar? O que impede você?
- Como a oração de Jesus na cruz ajuda você a perdoar?
Para guardar
- Perdoar é cancelar a dívida de quem nos ofendeu, como Deus cancelou a nossa em Cristo; Jesus mandou perdoar sem contar as vezes.
- Perdoar não é esquecer nem aprovar o mal; é largar a vingança e entregar a causa a Deus, sem abrir mão da justiça e da proteção.
- O perdão é sempre devido; a reconciliação depende também do arrependimento do outro.
Continue aprendendo
- Deus me aceita de volta?: o perdão que Deus oferece a nós.
- O que significa arrepender-se?: o caminho de quem pede perdão.
- Leia Mateus 18:15-35, Gênesis 45 e 50, Romanos 12:14-21 e Efésios 4:25-32.
Referências
- Bíblia, Nova Tradução na Linguagem de Hoje: Mateus 18, Mateus 6, Efésios 4, Lucas 17, Lucas 23, Romanos 12, Romanos 13, Gênesis 50, Gênesis 45.
- Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, Declaração de Fé (CPAD, 2016): capítulo "Sobre a Salvação", item 2.
- Matthew Henry, Commentary on the Whole Bible, comentários a Mateus 18 e Lucas 17 (domínio público).
- João Calvino, comentários a Mateus 18 e Lucas 17 e a Efésios 4 (domínio público).
- John Wesley, sermão 26, "Upon Our Lord's Sermon on the Mount: Discourse Six" (domínio público).
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Wan Anderson Pelicioni de Castro, editor responsável. Sugestão de pauta, correção ou conversa: mande mensagem no Instagram.
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Guia do discipulador
Objetivo
Ajudar a pessoa a entender que perdoar é cancelar a dívida de quem nos feriu, como Deus cancelou a nossa em Cristo. Ela deve saber que perdoar não é esquecer, nem aprovar o mal, nem voltar a uma situação de abuso. E deve distinguir perdão, que é sempre devido, de reconciliação, que depende também do outro. No fim do encontro, ela deve dar um passo concreto em direção a alguém que precisa perdoar.
Fundamentação adicional
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus não tem item sobre perdoar os outros nem sobre o Pai Nosso; não atribua a ela frase sobre isso. Ela define o perdão de Deus no capítulo "Sobre a Salvação": "Perdão é a absolvição de uma dívida e a remissão de um castigo." Numa nota, cita justamente Mateus 18:27, a parábola usada no estudo. No capítulo sobre os Dez Mandamentos, diz que a estrutura deles "resume-se no amor a Deus e ao próximo".
Referências
- Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, Declaração de Fé (CPAD, 2016): capítulo X, item 2; capítulo XVIII, item 1 [verificada].
- Matthew Henry, comentários a Mateus 18, Lucas 17 e Lucas 23 [verificada].
- João Calvino, comentários a Mateus 18:21-35, Lucas 17:4 e Efésios 4:32 [verificada].
- John Wesley, sermão 26, sobre o Sermão do Monte [verificada]. As notas explicativas de Wesley no biblestudytools estão fechadas para assinantes e não foram usadas.
Diferenças de tradução
Em Mateus 18:22 a NTLH diz "setenta e sete vezes"; outras versões dizem "setenta vezes sete". Na parábola, a NTLH fala de "empregado" e "patrão", e a dívida é de "milhões de moedas de prata" contra "cem moedas de prata". Em Mateus 18:35 diz "perdoar sinceramente", onde outras versões dizem "de coração". Em Lucas 23:34 a NTLH põe a oração de Jesus entre colchetes.
Divergências entre tradições
Sobre perdoar quem não se arrependeu, Calvino e Henry concordam. Calvino fala de "two ways in which offenses are forgiven": largar a vingança e continuar amando, que se deve a todos, e receber de volta à confiança, que acompanha o arrependimento. Sobre Mateus 6:15, Wesley fala de "condition" e "degree" do perdão que recebemos; Henry diz que quem não perdoa "did never truly repent" dos próprios pecados. A diferença é de ênfase.
Dúvidas frequentes
"Perdoar é esquecer?" A Bíblia lida não manda esquecer; José lembrou e nomeou o mal (Gênesis 50:20). Atenção: Henry usa a expressão "to forgive, and forget"; não diga que ele ensina que perdoar não é esquecer.
"Preciso voltar a confiar?" A confiança se reconstrói com arrependimento e tempo. Calvino fala em perdoar e "watch over his conduct for the future".
"E se for crime?" Perdoar não impede procurar a justiça (Romanos 13:4).
Cuidados pastorais
Nenhuma das fontes lidas trata da proteção de vítimas de violência; oriente na prática, sem atribuir a ninguém. Nunca use o perdão para pressionar uma vítima de abuso a voltar ao agressor ou a calar. Em casos de violência doméstica, abuso sexual ou contra crianças, envolva o pastor e encaminhe às autoridades. Quem carrega feridas profundas pode precisar também de ajuda profissional.
Roteiro do encontro (40 minutos)
- Conversa de chegada: o que torna o perdão tão difícil? (5 min).
- Leitura em voz alta de Mateus 18:21-35 e Gênesis 50:15-21 (5 min).
- "Desenvolvimento", com pausa em "Perdoar não é dizer que não foi nada" e "Perdão e reconciliação" (15 min).
- "Perguntas para reflexão" (10 min).
- Oração em silêncio: cada um entrega a Deus o nome de alguém que precisa perdoar (5 min).
Alertas de interpretação
Não use Mateus 6:15 para dizer que quem ainda sente dor está perdido. Não diga que "setenta vezes sete" é NTLH. Não use Mateus 18 para obrigar a vítima a conviver com o agressor. Não use Romanos 12:20 para incentivar humilhação do outro: o centro do texto é vencer "o mal com o bem".
Sinais de que a pessoa entendeu
Ela explica a diferença entre perdoar e esquecer, entre perdão e reconciliação, e diz um passo concreto que vai dar para perdoar alguém.
Como foi feito
Estudo escrito com IA (Claude, da Anthropic) a partir de fontes lidas na página: texto bíblico NTLH, Declaração de Fé das Assembleias de Deus, comentários de Matthew Henry e João Calvino e sermão de John Wesley. Publicação automática autorizada pelo responsável editorial; a revisão é feita na verificação diária do portal.
