Família e Valores Vale acompanhar

Lei dos pacientes obriga família e médicos a respeitar o que o doente deixou escrito

· Redação O Paladino

Lei dos pacientes obriga família e médicos a respeitar o que o doente deixou escrito
Christian Wilhelm Ernst Dietrich, Cristo curando os enfermos (1742, recorte), The Metropolitan Museum of Art

A Lei 15.378, de 6 de abril de 2026, criou o Estatuto dos Direitos do Paciente e deu força de lei às diretivas antecipadas de vontade: a declaração escrita em que a pessoa diz quais cuidados e tratamentos aceita ou recusa, para valer quando ela não puder mais se expressar. No Dia de Finados, a Agência Brasil voltou ao tema com famílias que respeitaram essas vontades.

Por que importa

Quase toda família cristã vai enfrentar, um dia, a pergunta sobre até onde ir com um tratamento sem chance de cura. A lei diz que vale o que o paciente deixou escrito, e que ele pode nomear alguém para decidir por ele. Ela garante cuidados paliativos, com alívio também do sofrimento espiritual, e respeito à religião do doente. O texto não fala em eutanásia nem em suicídio assistido.

Análise O Paladino

Em números

  • art. 20o paciente tem o direito de ter suas diretivas antecipadas respeitadas pela família e pelos profissionais de saúdeLei 15.378/2026
  • art. 21direito a cuidados paliativos, livre de dor, e de escolher o local da morte, conforme as regras do SUS ou do plano de saúdeLei 15.378/2026
  • 25artigos tem o estatuto, em vigor desde a publicação, em 7 de abril de 2026Lei 15.378/2026, art. 25

Contexto

A lei define cuidados paliativos como a assistência a paciente com doença ativa e progressiva que ameaça a vida e sem possibilidade de cura, para aliviar a dor e o sofrimento "de natureza física, psíquica, social e espiritual". O paciente também pode indicar, nas diretivas ou em outro registro escrito, um representante para decidir sobre seus cuidados quando não puder se expressar.

O consentimento informado é a regra, salvo quando há risco de morte e o paciente está inconsciente; mesmo aí, a lei manda respeitar as diretivas que ele deixou. O estatuto ainda garante que as particularidades religiosas do paciente sejam respeitadas, o direito de recusar visitas e a guarda de uma cópia das diretivas pela instituição de saúde.

No Brasil

O estatuto vale para profissionais e serviços de saúde públicos e privados e para os planos de saúde. Cabe ao poder público divulgar os direitos, receber reclamações e produzir relatório anual, e a violação dos direitos do paciente passa a ser tratada como situação contrária aos direitos humanos. O Tribunal de Justiça de São Paulo publicou em maio um material especial sobre a lei.

O que dizem

  • Esse é um tema historicamente cercado de tabu e desinformação no BrasilClisciene Magalhães, assistente social e autora de livro sobre o tema, à Agência Brasil (02/11/2026)
  • diretivas antecipadas de vontade: declaração de vontade escrita sobre os cuidados, os procedimentos e os tratamentos que o paciente aceita ou recusa, a qual deve ser respeitada quando ele não puder expressar livre e autonomamente a sua vontadeLei 15.378/2026, art. 2º, II
  • A lei não define limite para o que pode ser recusado nas diretivas nem trata de alimentação e hidratação; esses pontos ficam para a prática médica e, em caso de conflito, para a Justiça.

O que muda para você

  • Famílias com idosos ou doentes graves: conversar antes, com calma, evita decisões tomadas no corredor do hospital
  • Quem quer deixar suas vontades por escrito: a lei pede declaração escrita e permite nomear um representante; peça ao hospital que guarde uma cópia
  • Pastores e capelães: o texto inclui o sofrimento espiritual nos cuidados paliativos e manda respeitar a religião do paciente

Pontos de atenção

  • A lei não autoriza eutanásia nem suicídio assistido: o texto não trata do assunto
  • Não obriga ninguém a fazer diretivas; quem não deixar nada escrito segue as regras gerais do consentimento
  • A escolha do local da morte depende das regras do SUS ou do plano de saúde

Nossa opinião

Vale acompanhar

A gente vê com bons olhos uma lei que tira do médico e da burocracia a última palavra sobre o fim da vida e devolve ao paciente e à família. Recusar tratamento inútil não é abreviar a vida, é aceitar seus limites. O cuidado é não deixar essa porta ser empurrada, um dia, para a eutanásia.

“Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou” Eclesiastes 3.2, ARC

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Fontes

Por que esta notícia entrou

15 pontos no crivo editorial: Documento primário: texto integral da lei (2); Ato de poder: lei federal em vigor (2); Proximidade: nacional, vale para toda família (2); Utilidade: como deixar as vontades por escrito (1); Gatilho no calendário: Dia de Finados (1); Pede resposta do cristão: cuidado com doentes e luto (2); Passagem bíblica que um pastor usaria: Eclesiastes 3.2 (2); Rende estudo: vida, morte e dignidade (2); Moeda social: o que a lei não autoriza (1).

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